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Nas feiras da cidade

por Redação / Última Atualização em 8 de março de 2013

Das cruzadas até hoje, pode-se dizer que a feira é o lugar mais antigo no qual se pode comprar e vender, da existência humana. Séculos atrás, aqui na Paraíba, os tropeiros se encontravam no município de Campina Grande para a compra e venda de produtos. Tal prática, inclusive, foi um dos fatos que deu surgimento a cidade. Até hoje a Feira de Campina Grande é considerada a maior feira ao ar livre do mundo – diga-se com a modéstia necessária, pois quando falamos de Campina Grande tudo é considerado, o maior do mundo.

No  Mercado Municipal em São Paulo; na feira de São Cristovão, no Rio de Janeiro; em João Pessoa, no Mercado Central, Jaguaribe, Bairro dos Estados, Oitizeiro; na  feira de Campina Grande ou na expressão sertaneja da feira em Água Branca, seja onde for… feira é um lugar livre, cheio de cor, cheiro, sons de toda sorte, emoção e expressão artística.

Frequento as feiras da cidade desde criança, quando participava das compras da casa, na companhia do meu pai. Lá na feira do Bairro dos Estados, o barato era comer pão doce com caldo de cana.  No entanto, nos últimos anos, vou todas as quartas feiras à feira de Jaguaribe, onde uma quarta nunca é igual à outra. Devagarzinho me desloco de Tambaú até o bairro de Jaguaribe e as sete da matina estaciono o carro em baixo da sombra de um pé de araçá, nos arredores. Com o pé na feira, o dia ganha outro diferencial.

Hoje posso dizer que a energia da feira é capaz de me tirar de uma ressaca, de ampliar a alegria, de compartilhar abraços e sorrisos, de sentir a força das mulheres – grande maioria no local, além de reencontrar, semanalmente, os fornecedores todos por mim chamados de fregueses.

Já vi e ouvi de tudo na feira de Jaguaribe: feirante correndo atrás de uma galinha fugida, pregação da palavra de Deus, os “causos” na linguagem matuta, brejeira, inocente e sem vergonha que todos usam para atrair compradores quando divulgam o preço da laranja, do tomate ou do frango. Há também mulher dando o peito para o filho acomodado sob caixotes, como numa manjedoura. Sem falar dos frequentadores assíduos,  reconhecidos pelo mesmo gosto, ao cruzarem olhares e sorrisos.

Os preços na feira são imbatíveis e quando mais próximo do fim, tudo fica mais barato. É de se preocupar com a higiene, mas confesso que não me importo com a falta de estrutura da feira. Evidente que isto é um fato prejudicial para os clientes e vendedores, mas há uma espécie de “não ligo”, anuência. O que certamente pesa, mas o problema está na ausência dos órgãos públicos, que deveriam cumprir o papel de educar e vigiar. O importante é destacar que quem frequenta, não só as feiras livres mais também os supermercados,  têm o dever de higienizar com muito rigor as frutas, legumes e folhas verdes antes de consumi-las.

Seguindo o “protocolo da feira”, o primeiro passo é a compra das verduras. Os feirantes são Josélia e Paulo. Faz parte da abordagem, saber quais produtos são originários da Ceasa de Recife e quais produtos são dos agricultores da Paraíba.  Para quem vai comprar todos os legumes é bom saber que lá a regra é um preço geral para o quilo, um pelo o outro, R$1. Agora, se for para comprar algumas variedades de legumes o preço é R$ 2.

A segunda visita é destinada para a compra das folhas verdes couve, agrião, hortelã, rúcula, além dos tomates cereja e demais hortaliças. Todos adquiridos sempre na banca de Joseane da Silva. Ela e a mãe, D. Maria José da Silva vendem na feira as hortaliças  cultivados pelo pai, Josemar da Silva, agricultor há trinta anos. O molho da hortaliça custa R$ 1. É na banca de Joseane que eu compro os tomatinhos cereja orgânicos.

Com a mão na massa de mandioca, farinha e goma, as irmãs Edith Sabino da Silva e Maria Lúcia Sabino estão na feira, todas as quartas-feiras, desde a época que o dinheiro era o cruzeiro. Quem colabora na entrega dos produtos e da tapioca é a filha de D. Edith, Ivone Sabino. Já fizemos uma matéria com elas,  “Tapiocas e Tapioqueiras”. O preço do quilo da goma R$ 2,50; a tapioca simples R$ 1 e com queijo coalho R$2.


 

No mesmo local é possível comprar as pimentas dedo de moça, malagueta e cumari, que são cultivadas pela própria Edith Sabino. A bacia custa R$1, bem como o coentro orgânico, que faz o maior sucesso com a clientela. Salve o coentro!

 

Outra figura conhecida no local é o Galego, que vende mamão, melancia e melão. O preço do mamão Havaí, por exemplo, oscila entre R$1,50 e R$ 2.

Conhecida por ser a Miss Simpatia da feira, Patrícia Rejane é responsável pela diversão garantida dos clientes. Afinal ela está lá todas as quartas com a banca cheia de frutas e muito bom humor. Contando com o seu filho adolescente como ajudante, lá é possível comprar melão e melancia ‘dulcíssimos’. Para quem não aguenta comer a fruta inteira, também é possível comprar um pedaço pequeno de melancia por R$1.

 

Seguindo o roteiro semanal, vamos às compras de inhame, batata doce e macaxeira, que meredem uma busca de preço, afinal o inhame é um dos produtos mais caro na nossa lista de  compras.
Geralmente, um bom produto no tamanho médio custa entre R$ 5 a R$6. A batata doce e macaxeira, por sua vez, custam  R$1,50 kg.

 

Dona Irene Lopes da Silva é responsável pela venda de goma, bolos, biscoitos e tapiocas no local. Com tantas delícias, marcantes no nosso paladar desde a infância, esta banca é uma da mais movimentadas da feira. Nela compro meus biscoitos de goma – as tradicionais “raivinhas”. Fico pensando neste nome, dado logo a este biscoito tão inocente, preparado com goma, açúcar e leite de coco. O pacotinho das raivinhas custa R$1. Lá também estão os mais procurados bolos da feira, tem de mandioca, milho, baeta e pé-de-moleque; o quilo custa R$7. Dona Irene prepara cerca de 500 tapiocas nas quartas-feiras, na feira de Jaguaribe. Por três tapiocas simples, o cliente paga R$2.

 

Por D. Maria da Graça Lima temos um carinho especial, ao lado de outras mulheres por nós já mencionadas aqui, ela é uma guerreira que acorda as quatro da manhã para expor seus produtos e sua graça. O negócio da doceira é primeiramente vender as frutas, das quais as sobras são transformadas em doces. Das nossas conversas semanais sempre escuto a mesma argumentação quando pergunto sobre medidas e quantidade. “Milha filha, a quantidade do açúcar depende da quantidade de fruta, mas é tudo no olho”. D. Maria, particularmente, inicia o preparo dos doces de véspera. Segundo a mesma, o doce mais trabalhoso de preparar é o de caju.  No entanto é um dos mais procurados.

 

Quanto ao seu marketing pessoal, D. Maria não dispensa elogios ao ponto do doce mexido de goiaba que o deixa com jeito de geléia. Além deste, ainda tem o de banana e o disputadíssimo doce de jaca, que é feito no período de safra. Por sinal, em dezembro quando inicia a safra da fruta, logo cedo, a feira de Jaguaribe ganha um perfume especial perceptível de longe. D. Maria vende os gomos da frutas livres do trabalho de retirá-los de sua polpa leitosa e pegajosa. E que fruta dos Deuses. O preço do pote grande de doce é R$5 e o menor R$3.

A feira de Jaguaribe dá oportunidade de trabalho e sustento há muitas famílias de baixa renda, além de propiciar a continuidade de cadeias produtivas, da promoção da agricultura familiar e da confecção de produtos artesanais. Tudo por um preço bem mais “em conta” do que no supermercado. Lá a bacia da acerola custa R$3 e duas são feitas por R$5. A de caju custa R$2. Seis bananas prata, R$1.  Quem quiser conferir a beleza destes alimentos de perto, lembramos que toda quarta-feira, inclusive nos feriados, bomba a feira de Jaguaribe.

 

 

Texto e créditos Ana Márcia Alves

1 Comentário:
  • Távora em 01/08/2012 15:52 comentou:

    Eita, saudades do tempo em que eu lanchava uma tapioca com um café pequeno na Feira de Jaguaribe.

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