Blog Ana Marcia

24
jul

Gourmetidos na sua mesa

Categorias: Conversas e Temperos

O Gourmetidos na sua mesa assinou o Buffet da festa promovida pela magistrada Andrea Dantas Ximenes em comemoração ao aniversário de sua filha Laura Ximenes
Ao iniciar os preparativos Andrea tinha como desejo fazer uma festinha em sua casa, no condomínio Cabo Branco Privê que não lhe trouxesse stress, mas que tivesse charme e um diferencial nas comidinhas servidas.
O cardápio enxuto foi pensado para agradar a todas as idades mini-hambúrguer, mini pizza, mini cachorro quente, churros, docinhos todos feitos no capricho. Os adultos se deleitaram com as irresistíveis bruschettas servidas quentinhas, camarão ao molho thai, escondidinho de carne de sol, bobó de camarão, saladinha caprese e para finalizar gratin de bacalhau.
As gourmetidas Adriana Miranda, Izadora Evelin e Ana Márcia Alves estão a todo vapor, assim quando você pensar em fazer um evento não se esqueça do nosso serviço, deixe tudo por nossa conta, assim você terá mais tempo para preparar outros detalhes e curtir mais a festa.

Contato

(83) 9137-6322

mesa@gourmetidos.com.br

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11
jun

Caminhando em solo Argentino

Categorias: Conversas e Temperos
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Acredito que uma das maneiras mais eficazes para você bem seu destino numa viagem é  caminhar sob a sombra ou embaixo do sol. No inverno não é tão prazeroso por causa da chuva ou do frio,  mais nas outras estações, a atividade além de ser salutar proporciona a aproximação do turista  com o mundo e  para um comensal aumenta a fome.

Três  situações diferentes e dois lugares para apresentar da gastronomia de Buenos Aires.  A primeira, no bairro La Boca cuja impressão impactante e controvertido não me deixou   suficientemente segura para caminhar nas ruas decoradas de azul e amarelo, beirando o estádio de futebol,  Boca Júnior, seguindo o cheiro das parrillas. Apesar de ter ouvido falar com reverência  dos restaurantes  Don Carlos e do  El Obrero, o bom senso  e a  cautela adiaram esta expectativa, afinal um gourmetido é sempre animado com vinho na mesa, mas nesta viagem as experiências foram solo.

Continuei com o chofer e pedi-lhe para me levar ao outro extremo, a Recoleta. Lá iniciei um novo percurso explorando  ruas e galerias, afinal quando para uma viajante  o tempo é uma ficção,  caminhar num bairro nobre, no centro da cidade ou na beira mar  permite descobrir lugares, deslumbrar-se com vitrines, paquerar, observar o povo e seu jeito, entrar em várias lojas e numa delas, encontrar  uma restaurante dentro de uma livraria.

O alimento do espírito e da sabedoria junto ao alimento do corpo e seus prazeres decifráveis.  Falo da livraria Clásica Y Moderna fundada em 1938 pelo imigrante espanhol, Don Francisco.  O lugar foi palco de encontro de artistas, escritores e  teve efervescência cultural antes e depois da ditadura militar. Hoje a livraria recebe exposições de pintura, além de apresentações musicais e saraus poéticos. De mãos dadas com estas expressões artísticas a gastronomia tem seu lugar na Clássica Y Moderna reconhecida “local de interesse cultural de Buenos Aires”.

No meio da tarde escolhemos para  almoçar na Clásica y Moderna uma Truta da patagônia com buquê de folhas verdes e salsa lima, 79 pesos com  uma taça de vinho tinto, por 19 pesos. Apesar da imponência cultural do lugar, achei o prato sem encanto no sabor e o serviço um tanto displicente.


O cardápio é enxuto oferece menu executivo no almoço e no jantar com  até três opções de  fixas entrada, prato principal e sobremesa com preços que variam de 30 e 75 pesos.
Acredito que  o lugar tem algo a mais, para ser apreciado. Como fiz , antes de pedir a conta tomei um digestivo junto à leitura de um livro da estante.
Continuando as aventuras gastronômicas em Buenos Aires, dias depois precisei digerir a comilança da noite anterior. Foi quando caminhei  de Palermo Viejo a Palermo Soho, com direito a fotos em praças, paradinha para um sorvete e visita ao jardim japonês. Aberto o apetite, desejei encarar uma parrilla. Acontece que a caminhada se estendeu mais do que imaginei e seguir as trilhas do mapa retardou a chegada ao restaurante  Don Julio, comandado pelo espanhol Rivero. Quase quatro da tarde quando dei de cara com o Don Julio, lamentavelmente, foi avisada que a cozinha estava fechada para almoço e voltaria abrir as vinte horas para o jantar. Desolada caminhei mais uma quadra e encontrei o El Preferido de Palermo. Aí a alegria voltou, em certo momento pensei que estava em Olinda. Os casarios eram belos e havia poucos prédios, bem, estava no bairro boêmio de Palermo Soho , num fim de tarde, pronto para tomar uma taça de vinho junto a uma empanada.


El preferido de Palermo é um lugar vibrante uma típica bodega com prateleiras cheias de produtos à venda. O cheiro que vem da cozinha invade os cantos do salão,  o lugar foi fundado no início do século passado e desde 1952 está nas mãos da família Fernández. A culinária mantém até hoje forte influência espanhola um dos destaques do cardápio típico é a Fabada asturiana preparada com feijão branco, linguiça, toucinho; também Ternerita recomendada pelo garçon, que é um ensopado de carne com cenouras  e ervilhas, servido com batatas fritas bem crocantes; ainda arroz com frango el preferido. Bem, uma generosa visão de comida de boteco no melhor estilo gourmet. Cá com meus botões, a está altura decidi deixar para a noite meu jantar de gala e dei uma beliscada numa empanada de atum que levam o nome de empanadas a la galega, elas são maiores que as tradicionais.


O lugar fica num cruzamento com ruas bem arborizadas o movimento de carro não é grande, as pessoas andam muito a pé ou de bicicleta, o estilo do bairro lembra os jardins com jeito carioca. Ah! Será que estou divagando, melhor é pedir a conta (44 pesos) e chamar o taxi.

Serviço
Clásica Y Moderna
Av Callao, 892
Recoleta
Buenos Aires
Tel: (11) 4812-8707
El Preferido de Palermo
Av. Guatemala, 4801 esquina com J.L.Borges
Palermo Soho
Buenos Aires
Tel: (11) 4774-6585

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14
mai

Miragens Gourmetidas

Categorias: Conversas e Temperos
BUENOS AIRES 235

No site Gourmetidos  venho publicando  roteiros turísticos e gastronômicos  desenhados na  curtinha viagem solo em ares portenhos. O grande barato de viajar só é viver intensamente esse  momento, afinal  tudo é decidido no tempo e na escolha do “único viajante”. Você fica de bobeira olhando as nuvens sem pressa,  se ver turista, olha os seus iguais, para na esquina em meio ao tumulto dos pedestres, entende que  pode esperar e fazer a cena de uma spectatrice.

Nesta viagem não houve dúvidas nem tão pouco roteiro programado, com exceção das providências necessárias: reserva no hotel By Palermo e o contato com o motorista Marcelo Bautista, cujo serviço foi contratado daqui para fazer translado aeroporto hotel. Aliás, recomendo o contato com Marcelo ele fala português e está sempre de prontidão para maiores necessidades. Deixarei o email dele, ao final da conversa.

Nenhum momento fui  incomodada ou assedia por estar só num bar ou restaurante da capital Argentina – nem fiz muito esforço – mas  qual caballero iria interromper uma dama com tantos apetrechos de trabalho: máquina fotográfica, bloco, guia…  Assim, na gostosura da viagem deixei os roteiros serem construídos de acordo com a intuição e a fome.

Visitei restaurantes inusitados, com decoração nada convencional, mas com uma cozinha de tirar o chapéu. No De Olivas I Ilustres Fiz uma parada rápida mas olhei o cardápio direitinho e presenciei o serviço do menu degustação, na mesa ao lado, cuja apresentação estava divino e pela expressão dos comensais, sensorial. Como no dia, já tinha feito muitas peraltices enogastronômicas meu físico só pedia algo leve. Dito e feito,  degustei uma salada servida num vaso de louça de cor e com molho apresentado num vidrinho de perfume,  tal qual o líquido e seu fascínio. De outra maneira, o que esperar de um molho de maracujá com laranja? A Salada com berinjela refogadas, cenouras raladas e tomates confitados mais pãezinhos, água e vinho custaram, 72 pesos.

 

O fato é que outros lugares premiados não foram registrados com fotografia e texto,  a gourmetida não quis impor certos rigorismo. Há de pensar que momentos raros têm seu véu e  não querem ser mostrados. Só posso dizer que do café Nostalgia em Palermo alimento nostálgicas lembranças.  O ambiente é agradável com arvores iluminadas na calçada, local onde há mesinhas esperando os comensais.  Três taças de vin rouge realçaram o sabor do prato do dia – Tajine de cordeiro com couscous royal – total do serviço 98 pesos. Na plaza Serrano é só festa com lugares incriveis.

A troca de experiência serve para encorajar quem tem vontade de fazer uma viagem independente.  O roteiro foi cultural, turístico e gastronômico, melhor porque aliviei qualquer expectativa, de mostrar o novo modelito comprado nas boutiques da Recoleta para os olhos de um alguém.

Em breve pretendo novamente repetir a dose, agora, para Santiago e na volta uma nova paradinha na capital portenha.  Vou assistir o futebol, fazer um tour de bicicleta e me deleitar na gastronomia que é intensa. Há cozinha de todo o mundo e as carnes argentinas, hum!!!

No mais, estamos deixando alguns rastros que podem ser seguidos na sua viagem, veja no www.gourmetidos.com.br

Sugestões provadas e aprovadas

 

Hotel By Palermo
Rua Francisco Acuña de Figueroa, 1263
Palermo
www.hotelbys.com.br

Taxi – serviço Marcelo Bautista
marcelo_bautista@hotmail.com

Restaurantes
De Oliva  I Ilustres
Av. Gorriti, 3972
Palermo
www.deolivasilustres.com.ar

Nostalgia
Av. Soler, 3599
Palermo

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11
mai

Comida de mãe: alimenta o corpo e a alma

Categorias: Conversas e Temperos
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Por: Ana Márcia


Tenho modo próprio de pensar num título ou numa frase quando desejo construir uma narrativa. Esta em especial quer trazer a tona um pouco das minhas lembranças na cozinha da minha mãe. Para isto a frase será: Comida de mãe: alimenta o corpo e a alma.

Seu nome é Bernadeth tem jeito terno, imagem serena, um rosto, que moldura seu olhos verdes destacados pelos cabelos com cachos fofos que já tiveram nuances rouge, outrora castanhos escuros, mas hoje são castanhos claros.

Somos três irmãs todas criadas com muito amor, dedicação e paciência. Em mim, existe um cantinho que ela habita, para lembrar-me, a todo instante, do seu jeito incondicional de amar.

A cozinha dela é muito caprichada. Meu pai sempre gostou de reunir os amigos em casa. Ela pesquisava nas revistas ou no caderno de capa dura escrito com caligrafia perfeita, suas receitas especiais e conduzia a preparação das iguarias que eram servidas nas madrugadas festivas. Respeitando a condição de só servir o jantar quando papai dava sinal verde. Afinal se servisse logo, os convidados iam embora, e estes momentos de alegria com conversa na mesa em torno dos amigos, regado de comidas e bebidas não podiam terminar. Assim é até hoje.

Quando era necessário sempre estava por perto, deste fato penso que há um tempero mais condimentado por ser a filha mais velha. Seus ensinamentos primorosos eram notados até na preparação de um molho da tradicional macarronada do domingo, e naquele tempo ela dizia: “minha filha coloque um pouquinho de água na caixinha para aproveitar todo conteúdo”.  Displicentemente, eu nem percebia que a primeira lição de economia do lar era dada.

Sempre teve empregadas domésticas, mas às vezes, como acontece hoje como  qualquer dona de casa, ficava na mão. Ainda, adolescente me dava certa impaciência ter que ajudá-la lavando a louça, quando gostava mesmo era de ficar sonhando acordada.

 Ela lavava, eu enxugava, ou vice versa. Nestas horas, algumas cumplicidades mexiam comigo. Afinal, a mulher criada para casa e família estava com seus dias contados. Isso, inclusive, já foi uma confusão na minha cabeça, porém, nesta ultima década percebi que era tolice e hoje estou feliz com a casa, a filha, a cozinha e os gourmetidos.

Quando uma das filhas adoecia, ela preparava o alimento que excedia carinho e cuidado. Das memórias gustativas o prato que curava nosso corpo e nossa alma era: arroz bem soltinho acompanhado de carne moída bem temperada refogada com sutileza, e o confortante purê de batata. Até hoje me pergunto se a magia que essas comidinhas carregam, vem do tempero, ou das mãos especiais.

No almoço de domingo, na mesa o personagem principal era um frango assado recheado com uma farofa de mandioca carregada de temperos e verdurinhas, bem úmida, acompanhamento perfeito para as disputadas coxinhas assadas.

Nas tardes, incansável, preparava um bolinho de fubá para a ceia e o leite quente ou cafezinho ficavam melhores, que delicia! Desse bolo preciso resgatar a receita, mas era bem molhadinho, de certo batido no liquidificador. Outro que ela fazia e todos adoravam é o bolo baeta.

A canjinha, na noite, preparava o corpo para o repouso, e desse modo foi que a comida e o aconchego do lar embalam até hoje a convivência na nossa família.

De um tempo para cá, cada filha no seu lugar. Aí passamos a invadir a casa dela nos fins de semana. Nossos filhos, seus netos dão mais trabalho para comer. As guloseimas da modernidade estão devastando os reais valores da culinária familiar. Basta perceber que hoje em dia, é muito comum a família comer nos fast foods da vida.

Diferente não é minha aflição quando disputo, com o facebook  e o mensseger, a atenção da filha quando só desejo lhe ensinar como se faz um cuscuz ou quando lhe peço para ajudar-me e a lavar a louça.
Como entendo que cozinha familiar é um modo de se ligar a vida com a simplicidade, e deixando de lado, as resistências da ultima geração, melhor é pensar em quem me ensinou alto.

Mãe duas vezes, minha avô, hoje com noventa e nove anos, tinha um talento nato para a cozinha. Preparava doces e passas de caju, do cajueiro da casa de praia. Mas, especialmente uma receita se destaca num tempo que não volta mais: o licor. Eram de todas as frutas,  até de pétala de rosas ouvi referências.

Lembro-me que nos garrafões de vidro colocava a fruta em infusão na cachaça, lá descansavam maturando por longos meses. Depois coava num funil de vidro tão limpo que mais parecia um cristal, e no final do tubo colocava algodão, outro processo que demorava dias, e das vezes que desfrutei de sua hospitalidade acompanhava a transformação da calda açucarada em licor. Nunca cansada esperava o prêmio: chupar o algodãozinho molhado.

Maria das Neves fazia crochê e tricô, ainda posso ver suas mãos longas, dedos finos e as veias azuis. Mãos que prepararam o melhor mingau, papa, para não dizer papinha, que comi na minha vida e que confortavam o espírito e o corpo depois nas noites de estudo num tempo que passei na sua casa antes do vestibular.

Muita história para ser contada. Quem sabe um resgate nos cadernos de receita para revelar os quitutes, a temperatura dos tachos ou sentir os braços torneados de tanto bater a massa, pois assim era na época de vovó: em cima da mesa, sobre um pano a bacia recebia a massa do bolo que era mexida com colher de pau, pelos  braços fortes. Quantas vezes ouvi segure a bacia. Agora, de mãe pra filha, pra neta.
Neste dia é Sarah quem prepara o café da manhã. Daqui a pouco vou preparar o almoço na casa dos pais.

E se Bernadeth perguntar no que pode ajudar? Ah! Mainha você já fez tanto, agora deixa comigo porque com pouco sal, sem açúcar, mas com muito afeto vou preparar  as comidinhas que farão a festa de nossa mesa.


 

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16
mar

O Cotidiano de olhos acesos

Categorias: Conversas e Temperos

A crônica doméstica divaga além do convívio de corpos e almas pelas necessárias organizações que geralmente acontecem para por ordem no guarda-roupa, no escritório, na sala, quarto dos filhos e na cozinha. Evidente que idéias, sabores, prazeres, conflitos e atitudes sempre passam por estes cômodos que acolhem a relação de um casal ou de uma família.

Muitos casais compartilham no seu dia-a-dia de verdadeiras experiências na cozinha. Logo cedo, o café da manhã pode ser a continuidade do afeto da noite anterior, os mimos podem ser calmos ou apressados e ditos assim: vamos embora, olha a hora! Seguem-se os beijinhos e cada um vai para um lado, com ou sem as crianças.

Para quem pode almoçar em casa que delícia: uma saladinha, um grelhado ou o essencial feijão com arroz vão temperando a relação e o amor. No jantar os casais podem inventar ou reinventar, aproveitar as sobras ou simplesmente encerrar com uma comidinha bem confortante. Uma sopa!

Em todas as rotinas da alimentação feitas em casa existe um fim em comum: os trabalhos na cozinha. Há quem diga que isso é um saco! Confesso que prefiro cozinhar a lavar louças. Mas encaro, sem protelar, quando não tenho outra saída. Geralmente acontece nos fins de semana, na folga tão merecida da secretária.

Minha fala está longe do tom de arrogância e próximo do respeito às mulheres donas de casa, mães, trabalhadoras que, na maioria das vezes, chegam em casa e se ocupam dos afazeres domésticos. Mas vale lembrar que os homens hoje já assumem o lado “dona de casa” para ajudar a mulher. É a inversão de papéis.

De outro modo não tenho dúvida da descoberta masculina pelo universo gourmet, como forma de avizinhar as relações sociais e afetivas. Para sorte das mulheres que assistem com olhos acesos prontos para elogiar: que delícia!

Certa de que as “cuecas na cozinha” chegaram ou estão por chegar a nossas vidas, tive o prazer de compartilhar destas linhas com a amiga gourmetida Giovana Rossini, trocamos emails para costurar sabedoria, cumplicidade e temperar com afeto as relações em nossas vidas.

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8
mar

Mulher; Do Lar!

Categorias: Conversas e Temperos


Não pense que estou falando coisa do outro mundo e nem provocando as defensoras da bandeira feminista, logo hoje, Dia Internacional da Mulher. Acontece que no nosso espaço de interação é impossível falar de identidade feminina distante do universo da casa. Da conversa ao tempero, as linguagens se comunicam.

Ser dona de casa é um universo gostoso. É necessário apenas retirar o peso, basta dizer quer encontrar uma mulher sem aptidão para a cozinha não a eximi de outros talentos.

Na juventude quando acompanhava minha mãe Bernadeth para uma consulta médica, compras ou nas situações onde era perguntada sobre sua profissão, ela se reconhecia como Do Lar.  Resignada com a condição, não tornou a vida um fardo e ampliou suas qualidades na doçura.

Nas  vezes que ficou sem secretária doméstica, estive ao seu lado quando foi necessário nas tarefas da casa. Lavando louça ou arrumando, ela soprava nos meus ouvidos – “nunca seja igual a mim”… Hoje me vejo analisando as repercussões da assertiva, pois me passa na cabeça algum desejo inconsciente.

Ser do lar é ter como atividade os cuidados da casa, dos filhos e do esposo. Não, necessariamente, ser dependente financeiramente de um companheiro, porque você pode ser uma artesã, uma culinarista, uma escritora… Ser do lar é se sentir completa plena no mundo construído entre várias paredes, retratos, pinturas, plantas, bichos, cozinha, armários. A chave é poder dizer para si, gosto da casa e de tudo que ela trás consigo.

Meu saudosismo não quer ir de encontro, com o fato de que as mulheres se jogaram de cara no mundo do trabalho e deslocaram uma grande parte da energia de cuidado para a ascensão na carreira. Não! Maravilhoso, que nossa força ajuda a tornar o mundo melhor. Apenas aponto um olhar diferente e neste sentido, comemorar o Dia Internacional da Mulher é observar o termômetro de nossa autoestima, é buscar se respeitar, ser feliz encontrando na luz divina, a força soberana que existe dentro de nós, para nos apoiar em  todos os percalços.

Desculpe leitor se falo insistentemente do universo do lar, é porque dou mais importância à vida na casa, do que a roupa que visto.

Fui criada para ser uma mulher para trabalhar e para a casa. Hoje vivo no mundo dos dois  trabalhos, amo a casa, o silêncio, a plantas, os móveis herdados, objetos vintage, minha história. Sou feliz por ter força para levantar logo cedo, assistir a casa, a mesa, me jogar no pedal, fazer as compras em Tambaú, no ônibus do cinturão verde, escolher o que vou limpar ou deixar para depois, porque também amo trabalho e tem que haver tempo para tudo. Atualmente, ensinar as lições da casa para minha filha Sarah é um trabalho de paciência e insistência.

A diferença de ontem para hoje, é que naquela época se descobria o mundo ouvindo as histórias de família segurando a bacia do bolo ou peneirando a farinha. Agora, as mídias digitais roubam esta oportunidade.

Finalmente, nesta manhã, depois das tarefas da casa, consigo concluir estas linhas com a certeza de que o dia internacional da mulher não está passando em branco na minha vida.

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29
fev

E por falar em Gourmetidos…

Categorias: Conversas e Temperos

Ufa! Hoje 29 de fevereiro do ano bissexto data especial que só se repetirá em 2016. A novidade do dia é que saiu do forno, o novo site Gourmetidos. Tal qual acontece com o pão, alimento carregado de valores que exige habilidade no preparo, o processo de criação do site levou tempo para  a levedura fermentar e expandir até a fornada. Neste interim, abri e fechei a geladeira nas noites, repetidas vezes, para entender o processo e apurar o tempo de cocção, o resultado foi caprichoso.

O Novo projeto do site Gourmetidos é fruto da minha inquietação alavancada por uma consultoria coletiva em tecnologia da informação no SEBRAE PB, em 2011. De lá sai cheia de força e vontade fazer. Tá aí! O Gourmetidos agora está mais apetitoso, moderno e com foco também no turismo, afinal, impossível pensar no crescimento da gastronomia sem a força da indústria do turismo.

O blog Conversas e Temperos será um espaço mais intimista com receitas fáceis de fazer, textinhos sobre o imaginário cotidiano de uma dona de casa, que não ver a hora de aposentar o feminismo e se tornar DO LAR… Será? Organizamos a bagagem da cozinha em três categorias que vocês irão descobrir.

Para alcançar este resultado depositamos a confiança na talentosa agência de internet Qualitare que não mediu esforço para tornar a pintura da minha imaginação em realidade: Juarez Neto, Hebe, Rodrigo, Bruno, Candy, Felipe, Daine, Dani, Fabiana, Wilker, Zé, Alexandre, Vanessa, Ricardo, obrigada, por aguentarem as exigências e o rojam desta Gourmetida.

Ainda não posso deixar de mencionar as blogueiras Adriana, Gredja, Teresa, Linda Susan e Dayana que atenderam nosso convite para compor com novidades e receitas, a seção links parceiro. Ainda as Gourmetidas Cybele Soares, Virgínia Duan que estão de prontidão para revelar as notícias de A a Z do universo gourmet. Neste conjunto, valeu também em outro momento, a colaboração de Rafaela Gambarra e de Mayra Medeiros.
Sem mais delongas, é só olhar… Hum!

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27
fev

A cozinha de Antônia

Categorias: Conversas e Temperos

A cozinha de Antônia

O tema se repete. Tal qual acontece no namoro muitas vezes nossa relação afetiva com as secretárias domésticas se firmam até que o desgaste na relação indique o fim do vínculo. Este é o momento que cada um segue a vida, com novas relações de trabalho ou amorosa. Também, pode acontecer que o rumo tomado por nós mude a direção da convivência.

Era uma jovem dona de casa quando contratei os serviços domésticos de Antônia, nativa da Barra de Camaratuba, o lugar onde já curti alguns veraneios e fins de semana ao sol. Lá pelas botas do primeiro matrimônio.

Uma casa de praia é sempre movimentada e despojada, o chão sempre tinha muita areia trazida pelos nossos pés e pelo vento mesmo, sem falar da bagunça na cozinha. Não podia faltar a famosa caranguejada preparada com leite de coco, cebola, tomate, pimentão e coentro.

Desde cedo Antônia preparava gostosuras tais como tapiocas e cuscuz com leite de coco Nem tirava a mesa do café e já pensava no almoço, o que será o almoço? O coro era um só – peixe! Daí ela mandava os meninos “nativos” que rodeavam nossa casa, procurar o peixe fresco na Vila. Não demorava muito e eles já voltavam com o pescado. Antônia o preparava  à moda caiçara bem simples com legumes, às vezes fazia com leite de coco. O pirão tinha uma consistência firme pela rusticidade da farinha de mandioca produzida na casa de farinha comunitária da Barra de Camaratuba.

Compartilhamos ternura e cuidado durante alguns anos. Nosso distanciamento não foi um desgaste na relação doméstica, mas opções macro, como diz o jargão do jornalismo político.

Anos se passaram e atualmente, buscando novas aventuras para o site Gourmetidos reencontrei Barra de Camaratuba, ns seus ares e tudo veio. A praia não é mais a mesma com suas dunas nuas… Mas naquela tarde, dia de São Sebastião, os valores culturais da praia permaneciam tal qual deixamos há tempo.

Uma cantoria entoando liturgias anunciava a procissão do santo e na beira-mar reencontrei as mulheres de uma época, Mãe Santa e Antônia. Abraços e beijos nos cercaram, não demorou muito e já combinamos um almoço na casa de Antônia. No domingo, o almoço foi a tradicional peixada de Ariocó cozida com legumes e servida com pirão. Como nos velhos tempos ajudei Antônia na cozinha, enquanto ela peneirou a farinha reservei o caldo de peixe.

Dentro do depósito da farinha encontrei o pãozinho de Santo Antônio, um simbolo dos antigos habitos de influencia católica mantidos pelas donas de casa. Lembro-me que minha avó Nevinha também tinha o pãozinho no depósito da farinha que era recebido durante a missa em homenagem ao santo. O pãozinho “bento” para a crença católica ajuda a manter a abundância de comida em casa.
O almoço oferecido por Antônia foi uma viagem nas memórias e me fez sentir parte novamente. Na mesa com seus filhos e netos, o tempero simples de sua comida tinha o requinte do amor.

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25
fev

Começar de novo…

Categorias: Conversas e Temperos

Betty Boop by Max Fleisicher

Tem dias que a gente se sente com as pernas quebradas.  Uma das situações que me faz sentir assim acontece nas vezes  que após a preparação há um desligamento repentino da secretária doméstica.  Dias atrás a revista Veja apontou que o serviço ficará cada dia mais escasso em razão da possibilidade de investimento pessoal naturalmente perseguido por todos que querem um lugar ao sol, deslocando o modo de trabalho como hábito cultural, para outras possibilidades no mercado.

Aqui no Nordeste ainda é possível nos dar o luxo de ter uma secretária do lar, lembro-me de Zezinha que morou conosco durante sete anos e já era parte da  família. Confesso que até me perco em relações duradouras como esta, quando os limites da relação trabalhista são imersos pelo afeto. Na hora da partida é um Deus nos acuda! Afinal, todo desligamento mexe com as estruturas de conforto.

Hoje me deparei com a mesma situação. Sem ter nem para crer, fui saber da demora da atual secretária, Lu, que tinha tido folga no dia anterior para resolver problemas da bolsa família. Não é que por telefone, ela me comunicou que não voltaria mais ao trabalho. Houve a  quebra da relação de trabalho sem afeto.

Em casa, de um lado para outro, meu embaraço foi tão visível que refletiu na transparência do blindex da sala… A casa está em pé, eu que desmoronei. Claro, que há o histórico no inconsciente:  já passei por isso outras vezes. E agora de novo! Logo no momento que Sarah inicia o ano letivo e os estudos para o vestibular e estou tirando do forno o novo site. Nesta etapa  é  importante a estrutura básica de conforto que possa favorecer nosso bem estar, não nego! Como estou ausente das obrigações domésticas difícil não sentir um aperreio danado.  Não posso me enganar, quando os assuntos da vida material estão a todo o vapor e as dificuldades naturais acontecem, voltar para casa e a encontrar tudo nos trinques é muito bom.

Né que ela já estava sabendo preparar direitinho meu arroz com açafrão…  De outro modo, estou melhor após respirar nestas linhas e quem sabe aceitar que todas as mudanças enfrentadas, neste começo do ano, serão para o bem.
No mais, começar de novo…

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15
fev

A casa, o cultivo e a conversa

Categorias: Conversas e Temperos
200810041602

Por Ana Márcia

Desejo uma casa no campo onde eu possa plantar frutas, verduras, ervas e flores que perfumam e dão sabor. Este sentimento é antigo e reascende todas as vezes que me desloco do litoral ao sertão ou ao meu interior, afinal, penso que se dedicar aos cuidados das plantas e da horta é semelhante aos vários sentimentos que convergem a terra, a casa e a família.

Dias desses fomos visitar uma amiga na cidade de Bananeiras, no Brejo paraibano, uma região de beleza singular cercada de serras, vales e encostas sombreadas por ipês amarelos, ainda por florescer e muitas, muitas bananeiras.
Na casa de Ana Maria, lá no alto da serra, o jardim é deslumbrante. Flores dividem o mesmo espaço com pés de couve, alecrim, pimenta, coentro, cebolinha, louro e manjericão. Confesso que desejei aquela vida. Fiquei com uma vontade de propor uma troca de domicílio por uma temporada, quem sabe  um estágio probatório? Será este desejo apenas uma quimera ou se trata de uma necessidade de folgar os nós da gravata?
Se  penso e falo é porque anseio. Assim pensando, a meu  ver uma casa no campo  ou na serra  tem que ter um fogão e forno a lenha. O fogo deve ser alimentado o dia inteiro por fechos de  madeira, de preferência aroeira para ajudar a defumar  as costelas de carneiro, a galinha de capoeira e o guisado. As panelas de barro irão adornar e apurar o sabor. E a bateria? Será o lugar que estará exposto às frigideiras, panelinhas e papeiro.
A mesa estará farta de frutas da época, ainda terá café quente o dia inteiro, um bolo que acabou de sair do forno, cuscuz e tapioca. Doces e geléias. Do quintal já terei a visão da horta. As ervas  Êpa!  Ainda não iniciei a plantação. Mas ervas e hortaliças crescem rápido quando são cuidadas com  carinho e, possivelmente,   só oscilarão de humor dependendo dos meus segredos.

As receitas estarão inspiradas nos produtos sazonais, a palavra da moda. Se não estou no litoral, o peixe abundante só pode ser tambaqui, tucunaré ou tilapia.

A vida será um prato saboroso. O tempo estará a favor. Colocarei a leitura em dia, farei meditação, poderei divagar mais no gourmetidos, preparar as receitas, cuidar da casa, dormir e acordar cedo. Parece-me que o sonho já está acelerado. Neste tempo deverei ter tempo para cuidar das plantas e da horta. E antes que me esqueça das galinhas de capoeira que vivem solta, ciscam comem e surjam. Se andar descalço corro risco de pisar em titica de galinha, no sítio isso é natural.

 
 

 

 

 

 

 

 

Créditos Ana Márcia

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