Por: Ana Márcia
Lá em casa, o consumo de peixe é uma constância. Ainda não enjoei e espero que isso não aconteça até o fim da minha existência. Adoro peixes, e sem pestanejar a dieta do tipo sanguíneo, cai como uma luva em mim.
O organismo reconhece o alimento como um amigo e tudo que você come é um verdadeiro toma lá, dá cá. Para o tipo de sangue A, como é o caso da gourmetida, a recomendação é a ingestão de carnes brancas e soja.
Geralmente, compro peixe para vários dias. Então o peixe tem que ser grande e fresco, com aquele gosto que acabou de sair do mar. Na cidade é na Praia da Penha onde estão os melhores lugares para se comprar pescado.
Para o leitor que acaba de aterrissar no litoral de João Pessoa, a Praia da Penha é um dos lugares mais antigos. Abriga o Santuário de Nossa Senhora da Penha e acolhe um dos maiores acervos de ex-votos de romeiros, ao longo dos 245 anos de acontecimento de sua festa litúrgica e profana.
Especialmente, minha alma se regozija quando sigo para a Praia da Penha para comprar os pescados. O caminho em si nos aproxima das coisas divinas. A natureza é totalmente encantadora.
Seguindo para o litoral Sul, o percurso me distancia das praias urbanas de Cabo Branco e Tambaú. Depois de passar por traz do Farol do Cabo Branco, o caminho é o mesmo que levará também para a Praia do Seixas.
Nesta manhã, o céu estava um pouco nublado. A parada é obrigatória no pátio da igreja. De lá, a visão panorâmica da praia. Do alto, vejo a casa dos moradores nativos. E o silêncio da manhã, me deixa ouvir a batida do martelo de madeira trabalhando nas peixarias da Praia. O destino da gourmetida é: a Peixaria do Zé do Peixe.
Desde criança, ando pela Praia da Penha. Acompanhava meus pais, quando participavam das manhãs festivas que se estendiam até a noite, embaixo das mangueiras, na casa do amigo Otacílio Silveira. Lá, todos ouviam muitas histórias dos pescadores registro que faz parte das minhas lembranças pueris.
Era sábado, a praia já tinha acordado. Os trabalhadores cuidavam da limpeza e observavam a gourmetida contemplando a natureza. Já tomei muito banho neste rio, suas águas passavam por dentro da propriedade de Otacílio, formando um quintal aquático!
Ouvi quando eles discutiam entre si sobre o nome do rio. E ela me falou: “aqui o nome do rio é rio da Penha. Lá em cima ele se chama o rio do Cabelo, perto da vila é o rio da Vila”. Engraçado perceber que por onde o rio passa os moradores têm um modo particular de chamá-lo.
O propósito de dividir coisas boas motivou-me nesta aventura, cujo resultado gastronômico é comprar peixe na Praia da Penha. A intenção é divulgar e sugerir um lugar bacana para o leitor comprar o pescado da Semana Santa.
A Vila dos Pescadores, nos arredores da Penha também é uma ótima opção. Mas a Praia da Penha tem história dos homens do mar.
No caminho que leva à Praia o produto já está exposto.
Lá chegando é dobrar a esquerda e seguir até o final, na Rua Comendador Santos Coelho. Viu! Não é à toa a importância que tenho dado ao lugar! A Praia tem até rua com nome de Comendador!
As opções já são um convite aos olhares. Do lado esquerdo da rua a Peixaria do Nen e duas passadas adiante, a direita, a Peixaria do Zé do Peixe.
Alguns moradores nativos já perceberam a vocação do lugar para o comércio dos frutos do mar. O Nen, nem quer aparecer na foto, fica escondido por trás das Ciobas e Dentões. Seus produtos também são de primeira. E a variedade ele anuncia no quadro.
A peixaria do Zé do Peixe trás consigo toda a experiência do homem que conhece o mar, a vela e a esperteza do animal. No terraço da casa do pescador, as imagens dizem tudo. O mar está pra peixe!
Quem por lá âncora fica sempre impressionado com o tamanho e a fartura dos frutos do mar. Olha-se o peixe e ouve-se o batido dos martelos de madeira, nas mãos dos peixeiros, cortando as postas, limpando as escamas, as vísceras, batidas que ecoam em toda a praia.
Já faz algum tempo que descobrir como é bom ser amigo do peixeiro, ou de Zé do Peixe. Ele sempre indica o peixe como se fosse o que vai estar na sua própria mesa. É evidente que você tem que prestar atenção, para não levar gato por lebre, afinal pescador é homem conversador, e muita gente já se engana. Um exemplo, disso é a aparência semelhante do Dentão com a Cioba, uma Cioba é verdadeira quando tem um sinal preto perto da cauda (nadadeira).
Olha ele aí! Este é Cioba. Outro detalhe é que seus dentes são serrados, curtos.
No peixe, você deve observar o brilho das escamas e dos olhos para reconhecer se está fresco.
Pendurados para serem contemplados, desejados e comidos: Garoupa da boca vermelha (R$13,00), Bicuda (R$12,00), Dourado (R$12,00), Galo do Alto (R$12,00), Ciobas (R$12,00), preços do quilo com cabeça.
Já pensou em fazer um bobó de camarão com este Camarão Vila Franca (R$ 23,00).
Toda a família de Zé do Peixe é envolvida com o negócio. E há tempo, vejo sempre as mesmas caras, entre as peixeiros que trabalham para ele.
A varanda da casa do pescador é sua loja, tudo é muito limpo e organizado, freezeres se alinham e é perfeita as condições de armazenamento dos produtos. Neste encontramos: File de sardinha (R$8,00), Carne de Caranguejo (R$8,00) e Marisco (R$6,00).
Aqui estão os peixes: Cioba, dourado, guarajuba e bicuda (um dos meus preferidos).
Estes chegaram faz pouco tempo, e Zé diz que serão vendidos rapidinho, falo do Ariacó (R$ 11,00), uma delícia, se preparado frito inteiro para tomar com uma cervejinha, nhac!
Não resisti ao peixe Cioba fresquinho, olha ele aí, sendo tratado. Vai direto para a cozinha da gourmetida.
A Cioba que escolhi pesou 5 kg, me rendeu boas postas e muita alegria na mesa, paguei por ela R$ 60,00.
Zé do Peixe, conversador, me enrolou, enrolou e não fiz sua foto. Ele não é o dono do mundo, mas na sua peixaria ele parece ter o “reino no mar”.
Esta aventura precisa ser completa. Convidei a família e preparei uma receita com inspiração portuguesa.
Peixe cozido na panela de barro sobre cama de batatas, legumes, temperado com pimentões coloridos, tomates, cebolas e perfumado com pimenta dedo-de-moça e salsinha.
Ingredientes:
5 postas de peixe
4 batatas cortadas em rodelas
3 tomates maduras em rodelas
2 cebolas cortadas em pedaços
1 cebola roxa cortada em rodelas
3 folhas de couve
3 bouquet de brócolis
1 ½ pimenta dedo-de-moça
Sal e ramos de salsinha a gosto
1 tablete de caldo de legumes dissolvido em água quente
Azeite a gosto
2 colheres de chá de páprica
Modo de Preparo:
1. Salgue levemente as postas de peixe e passe na farinha de trigo. Dê uma ligeira fritura para selar a carne.
2. Dissolva o tablete de caldo de legumes na água quente. Reserve.
3. Coloque azeite no fundo da panela de barro e arrume as batatas. Em seguida coloque as postas de peixe, e siga arrumando as verduras e legumes com cuidado. Acrescente a páprica, a pimenta dedo-de-moça, fios de azeite e coloque o caldo de legumes dissolvido em água quente.
4. Leve ao fogo para cozinhar. Panela de barro é que faz comida boa.
5. Se for necessário, ajuste o sal, coloque os ramos de salsinha e deixe o caldo secar mais um pouco.
6. Uma olhadinha. O tempo de cozimento é de uns 25 minutos.
Adoro preparar este prato. É essencialmente uma comida confortável, reparadora, saudável e pouco calórica.

Agora, você se lembra onde tudo isso começou....
“Demonstrando minha fé
Vou subir a Penha a pé,
Pra fazer uma oração, vou pedir à padroeira
Numa prece verdadeira, que proteja meu baião”.
Peixaria do Zé do Peixe
Rua: Comendador Santos Coelho s/n
Praia da Penha
Fone: (83) 3251-1055
Créditos: Ana Márcia
Oi, Ana estou adorando o seu site. Gosto muito das suas aventuras gastronomicas - sou de Recife quando for a Paraíba irei em alguns dos locais indicados. Uma dúvida a páprica usada na receita é a doce e fogo é médio ou alto ? Abraços