Por Ana Márcia
Desejo uma casa no campo onde eu possa plantar frutas, verduras, ervas e flores que perfumam e dão sabor. Este sentimento é antigo e reascende todas as vezes que me desloco do litoral ao sertão ou ao meu interior, afinal, penso que se dedicar aos cuidados das plantas e da horta é semelhante aos vários sentimentos que convergem a terra, a casa e a família.
Dias desses fomos visitar uma amiga na cidade de Bananeiras, no Brejo paraibano, uma região de beleza singular cercada de serras, vales e encostas sombreadas por ipês amarelos, ainda por florescer e muitas, muitas bananeiras.
Na casa de Ana Maria, lá no alto da serra, o jardim é deslumbrante. Flores dividem o mesmo espaço com pés de couve, alecrim, pimenta, coentro, cebolinha, louro e manjericão. Confesso que desejei aquela vida. Fiquei com uma vontade de propor uma troca de domicílio por uma temporada, quem sabe um estágio probatório? Será este desejo apenas uma quimera ou se trata de uma necessidade de folgar os nós da gravata?
Se penso e falo é porque anseio. Assim pensando, a meu ver uma casa no campo ou na serra tem que ter um fogão e forno a lenha. O fogo deve ser alimentado o dia inteiro por fechos de madeira, de preferência aroeira para ajudar a defumar as costelas de carneiro, a galinha de capoeira e o guisado. As panelas de barro irão adornar e apurar o sabor. E a bateria? Será o lugar que estará exposto às frigideiras, panelinhas e papeiro.
A mesa estará farta de frutas da época, ainda terá café quente o dia inteiro, um bolo que acabou de sair do forno, cuscuz e tapioca. Doces e geléias. Do quintal já terei a visão da horta. As ervas Êpa! Ainda não iniciei a plantação. Mas ervas e hortaliças crescem rápido quando são cuidadas com carinho e, possivelmente, só oscilarão de humor dependendo dos meus segredos.
As receitas estarão inspiradas nos produtos sazonais, a palavra da moda. Se não estou no litoral, o peixe abundante só pode ser tambaqui, tucunaré ou tilapia.
A vida será um prato saboroso. O tempo estará a favor. Colocarei a leitura em dia, farei meditação, poderei divagar mais no gourmetidos, preparar as receitas, cuidar da casa, dormir e acordar cedo. Parece-me que o sonho já está acelerado. Neste tempo deverei ter tempo para cuidar das plantas e da horta. E antes que me esqueça das galinhas de capoeira que vivem solta, ciscam comem e surjam. Se andar descalço corro risco de pisar em titica de galinha, no sítio isso é natural.


Créditos Ana Márcia